Oi amigos! Tudo bem?
Antes de tudo quero agradecer as visitas no blog mesmo sem ser atualizado, você que vem sempre aqui procurar algo novo, obrigada!
Ainda estou sumida. Sem justificativas, apenas estou "sem palavras", e as palavras que já estão prontas não me identifico com elas para postá-las. Porém, hoje resolvi escrever. Como outrora disse "escrever sem neuras ou preocupações", apenas lançar as palavras ao vento.
Você deve se perguntar o motivo deste título do post. Explicação:
Cabisbaixas em *sala de aula, conversando com uma amiga, o professor entra e nos diz "Queridas, não fiquem tristes, sorriam, vocês são lindas e no mundo de hoje a mulher é o último sopro arejado de vida" - Mario Chamie
Hoje faleceu o Mario Chamie (leia aqui a notícia completa), ele foi meu professor quando estudei na ESPM. Apesar da pouca estatura, era um grande poeta. Não somente pela carreira ou por tantos títulos, experiência, talento e prêmios que acumulou. Ele transmitia em cada frase seu dom no domínio das palavras, em aula, numa brincadeira ao entrar na *sala, em simples conversas nos corredores das salas, ele suspirava palavras inspiradoras e criativas, suas palavras eram genuinamente belas obras de arte. Lembro que há alguns anos ele nos contou a história e arte da escrita impressa, disse que muito em breve estariam sendo lidas nas páginas fluídas (não mais impressas) dos tablets (que até então não sabíamos que seria tão rápido e acessível).
Sempre achei o dom de escrever bem uma das mais belas artes, e como todo dom, devemos aprimorá-lo. Neste caso: lendo bons livros, poemas, ouvindo boas músicas, conversando com pessoas experientes e assim vamos moldando e alimentando nossa obra. O Professor Mario me ensinou esta relação entre as palavras e o design, uma combinação que eu ainda não sei explicar (ele era o mestre), mas é impactante de ver. Como neste poema que dele, que uma vez citou em aula e fui impactada... Nunca mais esqueci, ainda mais quando enfrento chuvas interiores.
Chuva Interior, por Mario Chamie.
Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.
Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.
Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.
Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.
Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.
Estou sentindo falta das artes, poemas, palavras, boas músicas, teatro e principalmente pessoas que respiram e inspiram arte.
Fico por aqui... em meu silêncio feito mina, explosivo sem palavra...
Silenciosamente,
Jana


"Estou sentindo falta das artes, poemas, palavras, boas músicas, teatro e principalmente pessoas que respiram e inspiram arte."
ResponderExcluirPalavras q traduzem meus dias, meus sonhos, meus pensamentos...adorei a postagem!
Bjs Jana eterna sonhadora!
Obrigada Ari.
ResponderExcluirContinuemos assim, sonhadoras!
bjs... Jana